Centro de Aprendizagem

Aprendizagem na Enraizar

No centro de aprendizagem da Enraizar podem participar crianças matriculadas nos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico.

Os princípios de ação da Enraizar são a Sabedoria e a Felicidade através do desenvolvimento progressivo da autonomia, responsabilidade, criatividade, disciplina, do amor incondicional e da cooperação.

A construção da aprendizagem assenta num contacto permanente com a Natureza segundo linhas pedagógicas que promovem as qualidades humanas que caracterizam cada um de nós.

O trabalho desenvolvido na Enraizar convida a criança a vivenciar os conhecimentos, as diversas formas de compreender e estar no mundo que a rodeia em apoio ao trabalho realizado pela família.

Entendemos que cada criança é um indivíduo único e que deve ser tratado como tal. O que nos importa é descobrir e encorajar os interesses, as necessidades, as aptidões e as potencialidades de cada uma delas.

A aprendizagem acontecerá em lugares de convívio com os outros, onde se aprende numa constante troca de experiências, de ideias, de gostos e de sonhos. A nossa meta é o desenvolvimento da autonomia nas crianças e também nos adultos.

Pilares e Organização

A aprendizagem na Enraizar tem três pilares que sustentam a sua prática:

Valores: Encorajamos o desenvolvimento e a prática de uma cultura de aprendizagem que integre cinco valores: Afetividade, Honestidade, Respeito, Responsabilidade e Solidariedade.

Enquadramento teórico: Existem um conjunto de referências que fundamentam o trabalho que desenvolvemos, das quais salientamos Freinet, Montessori, Krishnamurti, Steiner, Vigotsky, Agostinho da Silva, Paulo Freire, José Pacheco, entre outras. As nossas inspirações são a Escola da Ponte e o Projeto Âncora.

Enquadramento legal: O trabalho desenvolvido está de acordo com a Lei de Bases do Sistema Educativo Português, Metas, Programas Curriculares, Aprendizagens Essenciais e Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória.

Organização:Respeitando os caminhos individuais de aprendizagem, a organização do grupo de crianças está baseada em 2 núcleos de aprendizagem, pois núcleo significa a parte central e mais importante de um objeto, movimento ou grupo, formando a base para sua atividade e crescimento.

Núcleo de Iniciação: Composto por crianças em alfabetização onde adquirirão as atitudes e competências básicas que lhes permitam integrar-se de uma forma equilibrada na escola e trabalhar em autonomia, no quadro de uma gestão responsável de tempos, espaços e aprendizagens.

Núcleo de Desenvolvimento: Composto por crianças que desenvolvem progressivamente a responsabilidade e a autonomia estando integradas no processo de autorregulação das aprendizagens relativas ao 1.º e 2.º Ciclos.

A transição entre núcleos realiza-se numa avaliação conjunta realizada pela criança, pela família e pelo tutor, de acordo com o disposto nos Perfis de Transição e em qualquer momento do ano. A progressão tem em conta a avaliação das atitudes e objetivos curriculares definidos para cada etapa do desenvolvimento da criança.

Princípios Pedagógicos

Existem vários princípios pedagógicos que servem de base para a nossa vivência.

A Comunidade: A vida acontece em todos os lugares e porque acreditamos que “é preciso uma aldeia para educar uma criança”.

A vivência de experiências reais: A apropriação de competências em contexto real é naturalmente mais significativa através de experiências interativas com o conhecimento, aprender fazendo.

A curiosidade como motor de aprendizagem: As crianças têm uma vontade natural de descoberta do mundo que as rodeia. Esta é uma caraterística fundamental ao longo de toda a nossa vida, enquanto adultos.

Brincadeira livre: Os momentos espontâneos são muito importantes no desenvolvimento de competências transversais.

Comunicação: Porque temos de comunicar para nos fazermos entender e partilhar o nosso conhecimento.

Multilinguismo: Na relação precoce com diferentes idiomas a integração linguística faz-se com mais naturalidade. É através da imersão linguística que atingimos uma maior abertura cultural.

O conto: É uma ferramenta que pertence a todos como objetivo cultural e é capaz de desenvolver a nossa imaginação e criatividade.

Grupos mistos: A heterogeneidade incrementa o saber através de aprendizagens que também se constroem entre pares. As crianças estão em grupo reduzidos, privilegiando o rácio de 1 tutor para cada 10-12 crianças, fomentando a criação de um ambiente de confiança e de tutoria sustentável. A orientação pedagógica conta com um número de tutores com formação especializada e com a restante comunidade educativa.

Dimensões Educativas

O percurso educativo articulará e valorizará equilibradamente diversas dimensões fundamentais, desde da linguística, lógico-matemática, naturalista, espiritual, identitária, estética e artística, cinestésico-corporal, intrapessoal e interpessoal.

Competências interpessoais – Soft Skills

O séc. XXI exige o desenvolvimento de competências pessoais com vista à interação harmoniosa com as outras pessoas e à futura integração profissional.

Damos ênfase especial ao desenvolvimento das competências valorizadas e requeridas na construção futura de cidadãos íntegros: pensamento crítico, criatividade, espírito empreendedor, empatia, multilinguismo, cooperação, comunicação, resolução de problemas, otimismo, tomada de decisões, flexibilidade cognitiva, resiliência, liderança.

As nossas ferramentas

Temos catorze ferramentas que auxiliam a nossa prática e possibilitam o exercício da reflexão, da autonomia e do trabalho coletivo.

  1. Jornal de Parede

É uma tabela na qual as crianças podem listar o que acham bem ou mal e propor alterações na organização pedagógica ou o desenvolvimento de atividades. Estas notícias são levadas para discussão na Assembleia de Escola.

  1. Assembleia de Escola

É um exercício de cidadania que proporciona e garante a participação democrática das crianças na tomada de decisões que dizem respeito à organização e funcionamento do trabalho que se vai desenvolvendo. Tenta-se que as decisões sejam tomadas por consenso.

  1. Grupos heterogéneos 

Quando alguma criança sente dificuldade em aprender algum assunto específico, ela pede ajuda a outra criança ou a um tutor. Outra criança, que sente possuir um conhecimento de um assunto pode preparar uma aula para as crianças interessadas. O tutor e a família vão sempre orientando esta prática numa perspetiva de desenvolvimento crescente de autonomia do grupo de crianças.

  1. Comissão de ajuda

Este grupo de crianças é eleito em Assembleia e tem como missão ajudar na resolução de conflitos e acompanhamento das responsabilidades. É uma ferramenta poderosa de mediação de conflitos.

  1. Mapa dos objetivos de aprendizagem

Consiste numa lista completa das metas de aprendizagem definidas legalmente. Encontra-se reunida no portefólio de cada criança, com os itens simplificados ao nível de compreensão das crianças. É um complemento do Plano Individual de Trabalho que contribui para a autorregulação das aprendizagens.

  1. Fórum

É um encontro semanal onde se apresentam e se assiste à partilha do conhecimento produzido ao longo de um período de trabalho. Aprende-se a falar em público, a argumentar e trabalhar o espírito crítico.

  1. Trabalho de Projeto

São momentos semanais dedicados ao desenvolvimento de projetos individuais ou de grupo que incidem sobre sonhos ou problemas que as crianças queiram trabalhar e partilhar com a comunidade. São momentos de construção de significado para as aprendizagens que se vão desenvolvendo a todo o momento.

  1. Pedir a palavra

Sempre que alguém, dentro de um espaço de trabalho, pretende falar ou intervir num debate ou assembleia, levanta o braço como forma de pedir a palavra.

  1. Portefólio – projeto de aprendizagem e avaliação

É o caminho de aprendizagem a desenvolvido pela criança. Composto pelo Mapa dos Objetivos da Aprendizagem, avaliação de atitudes e competências, reflexões periódicas, planos quinzenais e trabalhos realizados. É o espaço virtual e físico onde cada criança, sob orientação da família e do seu tutor, projeta e avalia o seu percurso de aprendizagem.

  1. Roteiro de Aprendizagem

As crianças desenvolvem as aprendizagens de uma forma progressiva no desenvolvimento da sua autonomia e de acordo com o núcleo em que estão inseridas. As crianças escolhem o que estudar num determinado espaço de tempo e montam o seu plano com a orientação da família e do tutor. Avaliam diariamente as suas atitudes e o desenvolvimento do seu trabalho.

  1. Família

A família é um elo fundamental na relação com o grupo e no desenvolvimento das aprendizagens. A escola conta diariamente com a participação das famílias, tendo em conta a sua disponibilidade. A família define as suas intenções educativas numa carta que serve para potenciar o enquadramento das características individuais familiares com o trabalho desenvolvido na escola.

  1. Tutor

Pessoa responsável por orientar a criança, avaliar o desenvolvimento da autonomia, acompanhar as suas atitudes, aprendizagem, relações familiares e sociais, numa relação estreita com a família.

  1. Trabalho de campo

Visitas regulares aos locais onde as crianças podem aprender interagindo com o meio, vivenciando experiências e recolhendo dados num contacto privilegiado com os elementos naturais.

  1. Responsabilidades

As crianças organizam-se em grupos mistos para estruturarem os diferentes espaços da escola de acordo com as suas necessidades.

Materiais pedagógicos

Os materiais que utilizamos nos diferentes espaços têm muita importância no processo de desenvolvimento das aprendizagens. Por isso privilegiamos o uso de materiais naturais, reciclados, reutilizáveis e eticamente responsáveis. Os materiais serão utilizados numa perspetiva cooperativista conduzindo as crianças à necessidade de partilhar.

Consulte o PDF de Projeto Educativo 2018-2019 aqui: Projeto Educativo 2018_2019